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Terça-feira, Novembro 24, 2009
10:38
Essas viagens a Salvador sempre interrompem meu ritmo de assistir filmes. Tanto nas idas ao cinema quando nos filmes que estão no computador. Saudade do meu iMac.

10:37
O Alucinado (1953)(****) é o primeiro filme de Luis Buñel que assisto na vida. Pela fama por causa do curta surrealista "O Cão Andaluz", não achava que ele tinha obras tão classudas em seu currículo (eu sei, sou muito por fora da carreira dele). Retratando o ciúme doentio de um homem por uma mulher, trabalha enquadramentos, arte, movimentação de câmera, tudo, de forma sintética e bela. Com poucos desvios experimentais (que couberam muito bem) e um final sensacional (apesar de deprê), foi uma boa surpresa pra uma noite de segunda-feira monótona. Assisti com meu pai no TCM. Ah, destaque para a grandiosa trilha sonora.

Terça-feira, Novembro 17, 2009
09:17
No domingão assisti a Trilogia Bourne (2002 a 2007) para comprovar que trata-se da mais bem sucedida franquia adulta dos anos 00. Sensacionais.

Tenho usado o Windows 7 e vou confessar-lhes. Aparentemente a Microsoft conseguiu fazer uma boa faxina. Bem mais enxuto que aquela tralha que era o Vista. Rapidinho, simples... o home office de meu pai ganhou ainda mais pontos - e é bom rever meu monitor LCD que tanto usei nos últimos 3 anos.

Em Salvador, tempo semi-coberto, calor agradável e brisa vindo aqui do lado, da orla.


Terça-feira, Novembro 03, 2009
20:50
Dei o foda-se para a Mostra. Pelo menos foram apenas 2 filmes que deixei de ver. Paguei por eles, mas enfim... além de estar com afazeres em casa, não consegui me imaginar indo pra sala de cinema e assistindo 2 horas, seja bom quanto for o filme. Mas penso assim... que o dinheiro que perdi nesses dois filmes nem se comparam com o quanto eu não vou gastar assistindo os outros pagando o valor normal do ingresso nos próximos meses. Então... estou de boa.

Calor dos infernos.


Segunda-feira, Novembro 02, 2009
23:41
Faltei um filme da mostra hoje. Dia ocupado. R$8,00 no lixo. Amanhã é minha última sessão. 20 e poucos filmes em 8 dias. Bom número pra quem ficou 3 meses sem pisar num cinema no meio do ano.

Domingo assisti - ou tentei assistir - o filme de Haneke, mas fiquei num transe de sono e desperto durante toda a primeira hora. apesar de ter sido surreal e alucinógeno, me fez perder boa parte do filme e não faz sentido comentá-lo.


Domingo, Novembro 01, 2009
02:07
O pretensioso Insolação (2009)(*1/2), filme brasileiro com nítida inspiração no russo Andrei Tarkovski (e olha que só vi trechos de filmes dele) é chato, desinteressante, com atuações intencionalmente apáticas e foi o filme mais chato que assisti na Mostra. Só não saí no meio da sessão porque, de fato, possui um visual belíssimo e intrigante. Mas seus temas, seus personagens, vão além do "parado". É o típico exemplo que dá vazão ao popularesco termo "filme de arte" e assusta o público médio - não que isso seja ruim ou para ser evitado, mas é para tentar descrever melhor do que se trata. E ao citar que só vi cenas de filmes de Tarkovski, lembro de ter ficado não só embasbacado com o visual de seus filmes, mas em poucos minutos ter simpatizado ou me ineteressado pelo que estava acontecendo... tá bom, vai que é porque eu não conheço a língua russa e os diálogos monocromáticos não soaram tão irritantes.

O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus (2009)(*****) é o que promete ser. Uma bela aventura fantástica, sob o olhar de um artista que admiro muito (Terry Gilliam). Mas apesar de não ter visto falhas aparentes nessa primeira assistida, não é meu favorito do diretor nem dos mais preferidos da Mostra... vai entender.

Poucos filmes restantes para ver. E eu perdi completamente a noção dos dias. Achei que hoje era segunda-feira e estranhei a rua meio cheia às quase 2 da manhã.


Sábado, Outubro 31, 2009
02:46
A diretora de Hotel Atlântico (2009)(***), Suzana Amaral, em uma pequena introdução preparou o público para um filme experimental, não-linear, diferente etc, mas acabou sendo desnecessário, já que o filme é correto e tem uma boa proposta. Trata-se de uma espécie de road-movie com um artista errante na vida que não busca nada, na real, mas enfrenta situações curiosas e por vezes instigantes - que o fazem crescer um pouco como pessoa. O viver por viver, fazer o que quiser, ganha aqui seus pontos, e ao final traz a tona a questão das escolhas e como cada escolha te leva a situações, lugares e pessoas diferentes. Talvez por isso tenha me ganhado. Com a exceção de Gero Camilo, os "famosos" João Miguel e Mariana Ximenes não disseram a que vieram, mas o protagonista, corretamente apático e com seu bom humor, ganha uma grande simpatia na interpretação de Júlio Andrade.

A Mostra pra mim tem um novo favorito, o coreano Mother (2009)(*****). O diretor de "O Hospedeiro" entrega um roteiro espetacular e um visual de deixar o queixo caído. Nem vale falar muito do enredo... só que o título faz muito sentido. E se até o meio da projeção róla uma estranheza pelo tema do filme anterior do diretor, daí em diante é uma sequência absurda de emoções, boas amarrações de texto e mais e mais surpresas. Muito, muito foda.

Almodóvar consegue o que 99% dos diretores de cinema da atualidade são incapazes. Filme após filme, é absurdamente competente, seguindo sua linha artística incomparável, com histórias sempre concisas e surpreendentes. Abraços Partidos (2009)(*****) é só mais uma prova disso. E Penélope Cruz parece que embeleza mais e mais com o passar do tempo. Outro título que não merece ficar descrevendo enredo pra não perder as surpresas.

O australiano Samson & Delilah (2009)(****) poderia se passar facilmente no Brasil. Dois adolescentes saem do interior para fugir da vida sem sentido e vão para uma cidade, onde a situação só piora. Racismo, miséria, vícios, amor, redenção... tudo está lá. E é meio "tapa na cara", pois depois que o público simpatiza muito com os protagonistas para depois vê-los enfrentando a classe média... e esta última reagindo como qualquer morador de cidade grande aqui no Brasil, dói um pouco ter a certeza que a gente tem um padrão de resposta e de comportamento para quem está visivelmente na miséria. Enfim... curioso do filme é que, se não me engano, róla músicas em espanhol de Leandro e Leonardo.

Dente Canino (2009)(****), filme grego que é uma mistura de "A Vila" com "Funny Games" (sem os sequestradores). Entendam como quiser. Fiquei meio puto com o final típico de filme alternativo (tela preta e silêncio num momento que muito poderia ser continuado) e me surpreendi pensando que assistir mais uma hora daquilo tranquilamente, mesmo já tendo passado da uma da manhã depois de 5 filmes num dia. Trata-se de praticamente um estudo sócio-comportamental, sem explicação aparente, por parte de um pai e uma mãe, que distorcem completamente a noção de realidade, mundo e sociedade para seus três filhos. E é engraçado que, num cenário que remete a qualquer casa de um "Big Brother", perceber como ser humano é ser humano e como seus instintos primários nunca podem ser mudados. E ainda tem cenas que competem com a mutilação de "Anticristo" e o extintor de "Irreversível".

Dia cheio e de filmes muito bons. Ufa. Agora é terminar a cerveja que tomo em casa pra enfrentar 6 dias de cinema, correção em DVD, edição de portfolio de amigo, captura de documentário da Matiz e... de repente uma faxina na casa vai bem.


Sexta-feira, Outubro 30, 2009
11:46
O Brilho de uma Paixão (2009)(***), novo filme da diretora de "O Piano", um favorito meu, não impressiona. Assim como "Sedução", é essa competente história de amor filmada de forma clássica e simples. Aqui, o único diferencial é ser envolvida de citações e recitais de poesia e por ter uma protagonista fortíssima, papel da (pra mim) desconhecida Abbie Cornish. Descubro no final que trata-se meio que de uma história real mas... não fez muita diferença e continuei achando o filme somente ok.

A Todo Volume (2009)(*****), documentário sobre guitarras e guitarristas tendo como protagonistas The Edge, Jack White e Jimmy Page, foi uma daquelas boas surpresas de festivais. Não sabia da existência do filme, escolhi de última hora, numa sessão de meia-noite e voi lá. Uma jóia rara de se descobrir, com a qual me identifiquei por completo e saí do filme regozijado. É que é difícil não simpatizar quando trata-se de um universo o qual eu conheço, personagens os quais admiro muito que passo a conhecer um pouco mais, músicas das quais sou fã, e um gênero musical do qual nunca cansarei de assistir sobre - que é o rock e suas origens no blues e etc. E ainda mais importante é a direção de Davis Guggenheim, com a qual me identifiquei de cara, com os tipos de planos, com as brincadeiras narrativas, as entrevistas... por eu participar tanto do meio rock lá em Salvador, de gravar videoclipes, documentários, por ter tido o Encarte... me sinto em casa assistindo esse filme. Claro, aqui é na potência máxima de qualidade e das figuras centrais.. .mas no final das contas a idéia é sempre a mesma. Os motivos que os levaram a tocar rock, qual a magia daquilo e como e por que uma guitarra gritando é tão satisfatório aos nossos ouvidos.

Polícia, Adjetivo (2009)(***1/2) é o representante da Romênia para o Oscar e traz consigo um burburinho positivo de festivais mundo afora. Mas não desceu bem pra mim não. Entendo o sentido do seu ritmo absurdamente lento e monótono (aliás, o tipo de filme ideal pra conseguir ir no banheiro no meio da sessão, não perdi nada), que surge como uma análise crítica, até do próprio cinema, com a representação da profissão policial. Como desconstrói a nossa percepção do que é uma investigação e o quão pouco emocionante aquilo pode ser. O protagonista é pouco agradável e seus motivos são falhos, o que pelo menos comigo funcionou para ao final ficar satisfeito com a resolução das coisas. E esse sentido da descontrução do gênero (evidenciado inclusive pelo título) fica claro quando o que mais importa e que vai dar "ação" de verdade ao longa, simplesmente é evitado. Mas quando digo que é lento não é exatamente chato. Algo na sua construção faz o tempo passar rápido, mesmo que 60% do filme seja o policial andando na rua ou parado fumando um cigarro, investigando seu suspeito. O som naturalista e detalhado e os bons planos talvez transforme em mais cinema o que poderia ser um filme incrivelmente chato. Engraçado que escrevendo sobre ele... aumentei um pouco minha cotação. Bom sinal, talvez.

Falando em desconstrução, O Dia da Transe (2009)(****) eleva o sub-gênero "bromance" (vide filmes de Judd Apatow) à máxima potência, colocando dois melhores amigos numa situação pouquíssimo improvável. Eu nem vou falar exatamente o que é, porque é uma surpresa das boas ir assistir esse filme sem saber de nada. E na real escreveria muito mais sobre ele se não fosse meu horário apertado no momento, pois hoje é dia de mais 4 filmes. Enfim, essa comédia é deliciosamente absurda e foi uma surpresa ver o Josh de "A Bruxa de Blair" numa atuação inspiradora. Trata-se de produção americana independente das boas e uma das coisas mais sutilmente divertidas que vi nos cinemas esse ano inteiro - apesar dos momentos constrangedores.

É isso.


Terça-feira, Outubro 27, 2009
21:02
Sedução (2009)(***1/2) peca um pouco por vez ou outra quase se tornar melodramático demais (principalmente por causa da trilha sonora não incidental) mas tem um roteiro cuidadoso, preparativo, e conta com atores absurdamente adequados e em momentos excelentes - principalmente a jovem protagonista. "Feminista", como disse Gabinha, mas com orgulho. Muita coisa que é dita no roteiro de Nick Hornby (não espere o clima "Alta Fidelidade" mesmo com a genial introdução dos créditos) é muito válido e cheio de sentido, tanto para os anos 60 (onde é ambientado o filme) quanto para hoje.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009
23:03
Aconteceu em Woodstock (2009)(**1/2) começa muito, muito bem mas consegue se enfraquecer de uma forma dolorosa do meio pro fim. Ao enfocar num único personagem e sua jornada pessoal, se entrega ao clichê e subtramas pouco interessantes e previsíveis. O que prometia ser uma viagem ao tempo de volta ao grande evento que foi Woodstock, se torna essa trajetória de uma pessoa só. E mesmo sabendo que não haveria nada dos shows em si ou dos artistas que passaram por ali, o que é mostrado dos bastidores, do público, do cotidiano naqueles 3 dias, já é interessante por si só - preciso baixar o documentário, inclusive. Por isso fica aquela vontade de degustar mais daquilo, de ter mais personagens ali no meio daquele povo "livre e pacífico". E fora o roteiro que capenga no meio final, ainda teve o incômodo de alguns momentos da edição na qual escolheram, sei lá por que diabos, dividir a tela, sem nenhum motivo aparente. Ok, várias coisas acontecendo ao mesmo tempo nos preparativos para o festival, mas não só distrai a a concentração como vira uma coisa meio "24 Horas", com várias câmeras numa mesma sitaução. Deve ser um vício profissional do editor, o mesmo que trabalhou com Ang Lee em "Hulk".

Enfim... meio que não valeu. Esse foi um dos filmes que escolhi meio receioso, porque já sabia da recepção pouco calorosa nos EUA e porque logo logo vai ser lançado nos cinemas, mas é a vida. Amanhã tem um provável indicado ao Oscar e muito mais filmes nos dias seguintes. Acho que acabarei gastando um dinheiro extra para outros filmes.