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Sexta-feira, Janeiro 17
2:55 PM
Tempo passa e eu ainda aqui, sentado, no computador, com coisas para fazer... pelo menos surge a chance de ganhar uma grana. Folhetim do Hospital Português, que se eu for usar como comparação o site oficial deles (hportugues.com.br), estarei rico. E eu achando que não tinha talento.
E afinal de contas qual o motivo deu estar aqui? Sempre repudiei esse maldito gênero de site. Por que?! Porra, vide a lista dos últimos atualizados. É Hello Kitty pra cá, bichinhos animados pra lá... nada de construtivo, ou pelo menos natural, sadio... tudo parte de fora pra dentro. O que as pessoas escrevem são meras influências. E influências pra lá de execráveis, que se diga. É o mesmo de adentrar no mundo do mirc. Puta que pariu, aquilo é o pardieiro. Um bando de adolescentes perdidos na vida que ficam horas e horas em papos monossilábicos que se repetem dia após dia, além de criarem uma linguagem prejudicial ao convivio social em massa...
Hmmm... massa... acho que vou fazer um miojo hoje.
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12:56 PM
É, o pelotão está movendo suas tropas para hoje se adentrar em aventura ébria num barzinho chique da cidade. Nós, boêmios de botecos sujos e banheiros sem luz, num ambiente de adolescentes que se acham o máximo com suas carteiras polpudas. Vou inchar o bico de tanto beber. Quero me desligar desse mundo por um tempo. Tenho que lembrar da água.. beber água, beber água... não quero ver meu próprio vômito, não hoje. Não gosto do cheiro. Maldita Elma Chips. Botando vômito batido no forno para vender salgadinho... argh...
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12:09 PM
Escutar "Alone" do Ben Harper num momento como esse é o chamado para a depressão, deixar que esse maldito turbilhão de dúvidas encorpore em mim. Venho tentado com todas as forças me livrar dos braços do ócio, que me deixa preso aqui em casa... Não produzo, não telefono para ninguém... e quando saio, pela noite, bebo cerveja e fumo meu cigarro com os mesmos e grandes amigos até as 4 ou 5 da manhã, para no dia seguinte levantar ao meio-dia depois de algum sonho chapado. Sinto, depois de formado e quase com 23 anos, que estou estacionado num andar sem elevador. Não existe saída fácil. Não existe... para nada. Pelo menos não está acontecendo para mim.
E ontem surgiu uma oportunidade de fazer alguma coisa diferente, sair para um lugar incomum... me arrumei, vestindo meu velho e único uniforme para festas "chiques", para ir no Café Cancun, super boate daqui na qual fui uma vez, há um ano atrás. Detesto boates. Aquele povo, aqueles preços, aquelas músicas. Mas o Café Cancun tem suas qualidades. E lá estava eu, esperando uns amigos chegarem. Esperando, esperando. Grande babaca. Já havia desistido há algum tempo, pra falar a verdade e tava sendo levado apenas pelo embalo do "fazer nada" que iria encontrar em casa. Mas eis que chega o povo, depois das 22:30, e os convites de cortesia não mais funcionariam... e eu teria que pagar 25 reais apenas para entrar. Ah, claro, teria direito a um drinque (!!!). E eu com míseros R$15 no bolso. Já havia comprado minha carteira de Carlton e tomado meio litro de chopp pra ver se encarava essa numa boa. No fim das contas o chopp desceu como água, fumei uns 5 cigarros seguidos para passar o tempo enquanto aquele povo não chegava para ter como resultado a saída de lá sozinho. Deixei os dois casais com os quais me encontrei lá pra trás. Não fizeram a mínima questão de insistir para eu ficar... nao que eu esperasse - eram dois casais - mas não é uma coisa lá muito legal se sentir desprezado.
Acabei saindo com a velha turma de sempre, numa noite positiva de discussão sobre um novo roteiro de curta-metragem que está quase pronto. Adaptação de Neil Gaiman, ótima história. Não direi quando a gente vai começar a filmar porque promessas feitas por mim, ou pela galera, nunca são muito confiáveis. Do tipo, "me liga hein?" e uma semana depois rola um telefonema para sair e a filmagem já foi esquecida.
Ah, saco! Odeio tudo isso! Pelo menos não sou muito do tipo deprê que se mete no escuro escutando Smashing Pumpkins e Radiohead se achando o cú do mundo. Sendo humano reconheço meus altos e baixos e não vou ficar me entregando ao meu próprio desprezo. Só digo uma coisa a essas pessoas facilmente desistíveis. Tomem no cú!
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Quinta-feira, Janeiro 16
7:15 PM
Até eu arranjar um emprego... até eu tirar esse bunda suada dessa cadeira milenar... até eu me sentir como pessoa, satisfazendo meus objetivos e toda essa lenga lenga de papo de pós formado... até lá estarei aqui enxendo meus culhões de besteira. Pouco me lixo para quem lê. Sou o durão que está triste, fuma e bebe e escuta Sarah McLachalan cantando música tema de Toy Story 2, achando tudo lindo. Sabem quem eu sou? Boooo.... eu sou um P.A., na verdade. Hehehe... duvido que isso aqui dure mais que um mês. Pelo menos acho que ficou botininho, não? Precursores de merda. O ano de 1998 é a minha marca, malditos! Eu boto pra fuder nessa porra... chuif! Toy Story 2 rules.
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4:49 PM
Pois é... sabe lá se isso aqui vai durar. Meu site antigo é uma porra de passado, representação de algo que deixei de ser há muito tempo. Um entrave em minha vida, uma infelicidade que ninca deveria ter sido inaugrada... mas enfim. Estou aqui, de título novo. Se virei alcóolatra? Não bem isso. Bukowski é uma espécie de escape. Queria ser como ele, não serei. Não combina comigo. Mas gostaria de ser um sacana filho da puta como ele.
E por que um blog? Logo um blog? Bem... na verdade não vou escrever esses motivos agora... pode ser que amanhã mesmo eu ache tudo isso uma grande bobagem e apague essa porcaria. Mas houve duas causas para eu inaugurar um site de um gênero que vinha cuspindo e rejeitando há muito tempo. Queria ter iniciativa para fazer um layout qualquer, a porra que fosse. E preciso voltar a escrever. O que seja, também. Então deu no que deu. E deu certo. Fiz esse site em pouco mais de 4 horas, o que me leva a pensar que não estou mais tão enferrujado. Dorothy colocou um pouco de óleo em mim e já posso mexer os braços. Porque parece que o resto eu não movo, já que há uma semana estou formado e nem sinal de emprego pro garotão aqui. Só cerveja, cigarro, amigos, violão, e nada mais. Quanto a escrever, isso´já é outra história.
A agonia do término, a estranheza do recomeço... muito complicado por enquanto. Fico por aqui.
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