|
 |
|
Terça-feira, Março 30
|
23:19 existirá o dia em que será feita a obra que me deixará morrer em paz. [ ]
|
|
Quarta-feira, Março 24
|
14:21 sinceramente, queria ter a chance de viver apenas de sonhos. minhas últimas três aventuras lúdicas foram estupidamente mais interessantes do que minha vida real nas últimas dezenas de horas. hmmm, talvez no fundo seja um balanço de forças. quando a vida está a mil os sonhos não... mentira! mentira! em São Paulo tive sonhos ultra loucos e que retratavam distorcidamente a minha vivência lá. Nada a ver esse papo de balanço. Minha vida atual está mesmo uma inutília e os sonhos são a parte mais divertida do dia. [ ]
|
|
Domingo, Março 21
|
15:05 fui um traidor com meus próprios objetivos. esse tal de panorama já está no fim e como acontece com nossos projetos, não levei-o até o final. consegui folgas mirabolantes no trabalho, estava com tempo e dinheiro e simplesmente... simplesmente dei um foda-se aos filmes nacionais e desconhecidos que rolaram no evento. tudo bem, motivo principal foi a desistência da minha companhia constante no processo, o amigo luna. ele tava de carro. mas eu poderia ter ido para qualquer filme, de algum jeito e simplesmente não fui. em contra partida devo ter gasto uns 30 paus por dia desde a quarta-feira achando que isso ia me fazer feliz. pelo visto nunca vou melhorar essa minha rotina e vou morrer aos 40 e poucos com certeza. e eu ainda achando que ir para são paulo de novo em Agosto seria tão bacana quanto Abril de 2003.
Caia na real, imbecil. seus planos irão sempre por água abaixo desse jeito. os planos de todos vocês! e continue se entupindo de bebida, cigarro, comida de madrugada, pouco exercício, nenhuma leitura, cada vez menos filmes, sendo o mesmo PA de sempre, escutando as mesmas ladainhas gritantes dentro de casa e se achando o "bom" por ser contra tudo e todos. quer saber? vai toma rno cú! [ ]
|
|
Terça-feira, Março 16
|
20:45 é. sempre rola uma vontade de terminar com isso aqui. tipo, nao existe direcionamento nenhum, nenhum tipo de conjunto de conteúdo. aleatoriedade banal da porra... o que desgera estimulo no garoto aqui. é isso. só queria dizer isso. sobre cinema eu escrevo no sobresites.com/cinema/blogdecinema... e imagens eu boto no tal do fotolog (www.fotolog.com/buko). aqui vira um canto de restos descriativos. enfim... como sempre. [ ]
|
|
Sábado, Março 13
|
14:38 III PANORAMA INTERNACIONAL COISA DE CINEMA
(Dia 1, Sexta-Feira, 12/03)
Primeiro dia de mostra. Íamos assistir "Serving Sara", com o Matthew Perry... pois é, como um dos Multiplex locais está exibindo o panorama, um ou outro filme comercial entra na programação... o que complica é a qualidade. Ano passado foi S1M0NE, um dos piores que vi no panorama. Mas enfim, voltando... então me convenceram de não ver "Serving Sara" e um filme francês lá, e sim conferir "Paycheck". Fui puto e apesar de mínimas risadas com os absurdos do roteiro e com a atuação gélida do Ben Affleck, saí puto da mesma forma.
O que não estragou o resto do dia, só com filmes inéditos e sensacionais...
"Dangerous Life of Altar Boys"
****
Nem lembrava que vira o trailer desse filme anos atrás. Produção que deve estar datada de dois anos ou mais com Kieran Culkin e Jena Malone (muito mais novos que em "Igby Goes Down" e "Donnie Darko" respectivamente) como principais nomes do elenco principal; e Jodie Foster e Vincent D´Onofrio como coadjuvantes.
Trata-se de um "Conta Comigo" geração anos 90, com muita bebida, cigarro e uma ponta de baseado. Quatro garotos que criam personagens de histórias em quadrinhos para si mesmos são contra os métodos de ensino do colégio católico onde estudam. Esses personagens, que formam a Liga Atômica, são na verdade uma defesa de cada um contra o "sistema" e ainda um escape para um deles, Francis Doyle (interpretado pelo excelente e desconhecido Emile Hirsch), conquistar na ficção e na realidade a personagem da Malone. Como vilões, a representação animada da freira interpretada por Jodie Foster. Ainda na igreja, temos o desleixado padre feito pelo sempre sensacional Vincent D´Onofrio.
Os trechos animados foram surpevisionados pelo cultuado Todd McFarlane - criador de Spawn - e conseguem transmitir, no mundo fantástico criado pelos garotos, a pressão psicológica e a situação de cada um deles, através de ações que soam banais numa HQ. O que no fim das contas transforma o filme não só numa boa história de adolescência, mas numa homenagem ao formato, muitas vezes renegado a mero entretenimento. Como os garotos, rebaixados a meros objetos de aprendizado pelo instituto de ensino e peças pouco fundamentais na mesa da família. Mas que quando entram no mundo da HQ tornam-se super-heróis musculosos e poderosos, como por dentro são ao aturar o dia a dia de obrigações. [ ]
|
|
|
14:37 "Anti-Herói Americano"
*****
Às vezes o diferente faz a diferença. Quando Harvey Pekar resolveu, na década de 70, "roteirizar" algumas histórias em quadrinhos a serem ilustradas pelo cultuado Robert Crumb e outros artistas da época, ele estava inaugurando um estilo diferente de histórias para o formato, mais conhecido como produto para crianças ou sobre super-heróis. Pekar colocava ele mesmo estampado nessas histórias. Sua vida comum, chata, incomodada com todos em sua volta. E como sempre, o comum acabou fazendo sucesso. E ainda assim continuava sendo a pessoa mais comum do mundo. Trabalhando como arquivista num hospital, tentando arranjar uma boa garota para dividir a cama, enfrentando o câncer, se deleitando com sua coleção de LPs de jazz. De anti-herói Pekar não tem nada. Se a história fosse sobre Charles Bukowski, ok. Mais adequado. Mas Harvey era uma simpatia em fúria, de uma simplicidade genial e cativante, que mesmo sendo o inverso do que é a felicidade para o cidadão norte-americano, se sentia bem em seu bairro pobre, em seu trabalho pouco digno, e sem ganhar fortunas com seu personagem. É a ironia que torna o "esplendor americano" do título original mais adequado do que "anti-herói", além de "American Splendor" ser o nome da revista que publicava - e publica - os quadrinhos de Pekar.
Tinha começado a falar do diferente, não foi? Pois o filme em si é como os quadrinhos de Pekar. Em dois sentidos. Primeiramente o longa-metragem de Shari Springer Berman e Robert Pulcini usa em muitos momentos as formas figuradas de Harvey - e em outros torna o próprio filme numa história em quadrinhos, com o uso de legendas informativas nos cantos da tela. Em segundo lugar, "Americam Splendor" tem um formato muito original e estranhíssimo para grande parte do público. Além de misturar animação e linguagem quadrinesca com o filme em si, coloca documentário e ficção lado a lado - literalmente - chegando a exibir, em estúdio, Pekar e seu amigo Toby na vida real e seus intérpretes Paul Giamatti e Judah Friedlander logo ao lado observando suas inspirações dialogarem sobre jujubas.
"American Splendor" é um filme de grandes feitos. Conseguir mesclar tantas linguagens para contar uma historia que basicamente não possui começo, meio e fim; juntar um elenco tão competente de inspiradas interpretações que representam fielmente os "originais"; construir uma narrativa musical que se encaixa perfeitamente nas imagens e no teor do filme; e destruir paradigmas não se preocupando em tornar Pekar numa figura indestrutível, no herói propriamente dito, costumeiro em roteiros norte-americanos... Harvey termina o filme como um vencedor em sentidos simplistas como vencer o câncer, ter feito uma família cheia de remendos, ter diversificado sua vida, deixando de ser só um arquivista para ser um arquivista que escreve histórias em quadrinhos conhecidas nacionalmente. Bem, não vou mentir que nesse ponto o título em português até que faz algum sentido. [ ]
|
|
|
14:34 "Elefante"
****
Ao sair da sala um amigo perguntou: "e aí, você que viu Dogville, esse filme do Gus Van Sant merecia ganhar a palma de ouro?". Não consegui raciocinar naquele momento. Os dois filmes são bem diferentes e... e ao mesmo tempo parecidos. São duas obras de intenções geniais. Muito bem conduzidos, atuados; terminam de formas intencionalmente chocantes; tratam de diferença, tolerância e seus antônimos; equiparados em ritmo e estranheza de narrativa; mas no fim das contas acho que nenhum dos dois são filmes 100% satisfatórios. São longas importantes, mas como cinema em si, não alcançam a glória da perfeição do conjunto. Tratam-se de ousadias que poderiam ter sido feitas de outras formas... um filme como "American Splendor", por exemplo, tem em sua forma algo exclusivo. Por isso o achei superior. Mas "Elefante", por mais belo, explicitamente subjetivo e bem elaborado que seja... soa apenas como um floreio ao tema.
A intenção é clara: dissecar um ambiente que num inesperado momento tem sua rotina lançada ao espaço. Estamos numa escola típica norte-americana. Garotos de pele rosada e desinteressados, meninas nerds rejeitadas pelas barbies de plantão, o revoltado do fundo da sala que é desmoralizado pelos fortes e esbeltos jogadores de futebol americano, patricinhas com seus papos fúteis... bem, tudo isso é visto em qualquer outro filme sobre colégios, até mesmo num besteirol satirizante como "Não é Mais um Besteirol Americano". Mas é exatamente nesse ponto que talvez Gus Van Sant gostaria de enfiar uma agulha. Ao mostrar cada um dos personagens em momentos de pura rotina, com longas e às vezes monótonas tomadas em steady-cam seguindo alunos, percorrendo corredores, captando olhares, movimentos, suspiros, momentos, inspirações... o filme impõe uma diferente visão sobre aquilo tudo. É mostrar o que sempre soou como ficção num retrato de realidade.
E é num emaranhado narrativo que o roteiro da Gus Van Sant vai encaminhando para o ataque dos dois alunos à escola. Num vai e volta no tempo típico de filmes "moderninhos" - e do qual "Elefante" pelo menos faz bom e necessário uso - o filme caminha para o desfecho sem muito aviso ou preparação de clima. Apenas do ambiente. O que se fez necessário dada a inesperada ação dos dois garotos. Nós, o público, ficamos olhando tudo, de voyeur. Sabemos o que cada um está para esperar. Quem vai morrer, quem não vai. O roteiro nos diz isso e nos fazem incapazes de tentar impedir alguma coisa. Assim como fica claro que a escola e os próprios alunos não têm idéia de que algo daquela gravidade pudesse acontecer a um ambiente tão pacato e comum. É interessante como o filme mantem o ritmo lento e até fantasmagórico da filmagem mesmo durante o ataque. Os dois "alterados" na verdade invadiram aquela rotina, mas fazem parte dela. Só que daquela vez armados até os dentes.
O roteiro não tenta culpar ninguém. Dá umas pinceladas no que seria um quadro de culpas. A internet, os videogames, a liberação de venda de armas e até músicas de Bethoven parecem ser motivo para a matança. "Elefante" não tenta justificar o ato - claramente inspirado no acontecido em Columbine - e sim, como falei anteriormente, dissecá-lo. É somente aquela escola, aqueles alunos, aqueles pseudo-assassinos, as mortes, as fugas... e tudo parecendo estar acontecendo em camera lenta, como um evento onírico... como se tivessem atônitos por terem descoberto que um elefante frequentava aquela escola e nunca haviam percebido.
[ ]
|
|
Quarta-feira, Março 10
|
01:56
"O Reencontro". Filme sensacional do Lawrence Kasdan, passado em 1983 quando grandes amigos de juventude se reencontram para o enterro de um deles. Uma das trilhas mais perfeitas já vistas. Um McGuffin genial, melhor e mais bem "escondido" do que a mala de "Pulp Fiction". Personagens tridimensionais. Puta que pariu, taí mais um filme que eu queria ter feito! Merda! [ ]
|
|
Quarta-feira, Março 3
|
12:22 "Acabei saindo com a velha turma de sempre, numa noite positiva de discussão sobre um novo roteiro de curta-metragem que está quase pronto. Adaptação de Neil Gaiman, ótima história. Não direi quando a gente vai começar a filmar porque promessas feitas por mim, ou pela galera, nunca são muito confiáveis. Do tipo, 'me liga hein?' e uma semana depois rola um telefonema para sair e a filmagem já foi esquecida."
a data disso? Janeiro de 2003. [ ]
|
|
|
|
|